Blow Up & //*Code Up
Imagens Algoritmicas & imagens digitais & imagens técnicas
FOTOGRAFIA
Ao ir de encontro a um meio artístico que não estava acostumado a uma forma de reprodução tão concreta, a fotografia, é contestada quanto ao seu valor de representação.
Não foram somente as técnicas de reprodução que se confrontaram com a fotografia. Em seu ensaio sobre a reprodução mecânica, Walter Benjamin argumenta que a fotografia, é capaz de transformar a autencidade de um fato em um bem de consumo.
Roland Barthes, em Câmera Clara, coloca que a fotografia transforma o tempo em espaço e o espaço em tempo. Ele coloca que a fotografia lhe dava uma idéia de morte, pois na imagem é gravada uma presença no tempo que não existirá mais. A fotografia, segundo ele, proporciona um "isto será" e um "isto foi", em uma única e mesma representação.
Benjamin também nos lembra, que a desvalorização da aura é agravada pela nossa necessidade de possuir o objeto, fazendo com que cada vez mais se busque uma arte feita para ser reproduzida e que é tão trabalhada para que atinja o efeito no consumidor, tornando-se objeto de desejo, admiração ou repudio, e pode criar uma informação para nós mesmos, mas que se não for novamente representada não será aceita como verdadeira.
Pensar sobre fotografia mostra que, independente do fato de a fotografia ser ou não uma forma segura de comunicação, é seguro dizer que ela causa um impacto social e político na medida que percebemos que seu conteúdo é uma das coisas mais valorizadas em uma sociedade estabilizada na obtenção do consumismo. Nosso desejo se materializa na imagem.
A fotografia representa um momento de vida, de morte, uma paisagem que tenha um significado de instante, e não é por esse instante que se consegue transmitir informação.
A imagem estática, torna-se parte do mundo de BLOW UP, o mundo de um fotografo que se comunica através da representação da imagem. No momento em que ele aceita a realidade da imagem, dissolve a separação entre real e imaginário, entre a imagem da coisa e a coisa em si.
"O homem não olha mais para um real a partir do qual vai criar determinadas imagens e das quais ele seria o seu referencial primeiro. Agora, o homem olha primeiro as imagens para depois compará-las com algo que ainda possui o nome de "real", mas que não tem mais o mesmo estatuto de realidade que possuía anteriormente". ( Walter Benjamim )
O filme mostra uma inversão do referencial da realidade, tudo passa a existir e a ser verdade somente enquanto imagem.
Blow Up- Antonioni
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Blow up de Antonioni
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Existe uma grande diferença entre imagens técnicas e imagens tecnológicas
Uma se baseia na técnica, o uso do instrumento como forma de produção. Outra usa a tecnológica e é a que produz conhecimento A imagem digital é aquela que de fato tenha a especificidade de ser mapeavel, ou clicável. Pode ser enriquecida por comportamentos que podem ser mais ou menos complexos.
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Blow up de Antonioni
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Blow up – Filme de Antonioni, de 1966. Em que o amor sem significado, o assassinato sem culpa e o deslumbramento e a loucura da juventude do mundo da moda européia são cenários para um fotógrafo que se envolve sem sentimento na busca de um possível ato de violência presenciado e registrado. O fotografo registra um possível assassinato e usa a maquina como ferramenta de ampliação para sua capacidade visual.
Para tanto, trabalha o processo químico de revelação da imagem fotográfica até sua exaustão, quase em tempo real na busca da informação.
O fotografo busca a informação em um suporte finito, ao contrario da imagem digital que carrega um espaço informacional, que pelo agenciamento e enunciados, pode carregar infinitas informações. Em Blow up a ferramenta usada não produz sentido, a imagem se esgota em si mesma.
Como podemos entender e fazer uma analise critica se a imagem e sua função são seu índice de realidade?
//*Code Up Giselle Beiguelman
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//* Code Up de Giselle Beiguelman
Ilustração 3 //*CODE UP
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Comfrontando a imagem técnica do filme Blow Up (1966) e a imagem tecnológica do projeto //*Code Up, (2004) de Giselle Beiguelman, podemos afirmar que existem duas modalidades discursivas ou dois processos da idéia de representação.
Elas criam um diagrama complexo onde as linhas de força oscilam entre ausência e presença. Uma representa a idéia do imaginário invisível e a outra representa a visibilidade da informação
Em Blow up, a busca do fotografo pela imagem é relativa a representação. Isto é, de que ela evoca uma ausência ou representa algo presente. A imagem como objeto virtual que venha substituir o real, ela é na nossa cultura visual uma imagem indexial.
A Imagem digital em //*Code Up ,não tem nada de antológico, é só uma relação de informação. É uma visão instrumental, em que o signo e o significado é mais uma questão de autoria, mais uma questão do diagrama do paradigma indiciário para a compreensão da imagem tecnológica.
Blow up pensa e visualiza a imagem ainda com o paradigma clássico do séc. 19, época do uso de novas possibilidades como as lentes, máquinas de visão, para ampliar o que já era visível. Versões arrojadas de alargamento da visão para captar o movimento, a simulação e a ampliação da realidade concreta ou imediatamente visível.
Os parâmetros da visualidade estão colocados em xeque atualmente, a imagem digital é aquela em que eu posso ver e posso estar dentro dela, modifica nosso modo de olhar. A maquina dialoga com a visão no principio de uma imagem interativa na medida que eu me vejo dentro de um espaço que é manipulável. Não temos a interface do que está na tela, não é uma membrana que liga o que esta dentro e o que está fora, mas é o ponto de passagem de ida e volta.
//*Code Up trabalha a imagem segundo Guattari e o conceito de protomáquina, que segundo Guattari, são maquinas imanentes que não são capazes de produzir sentido por si só, dependem do agenciamento, da relação para dar sentido de ferramenta. A maquina digital permite assim que uma ação não exclua a outra, o banco de dados é mixado, pode ser reprocessado e a informação é transmitida.
A imagem fotografica é formada por grãos e a imagem tecnológica é formada pelo pixel.
O pixel é a informação.

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