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LOVEJOY, Margot

by vera_bighetti last modified 28/08/2005 11:57

Fichamento :LOVEJOY, Margot (2004).Digital currents: art in the eletronic age - Routhedge Taylor & Francis Group , N.Y and London, cap. 6/ 7

 

A grande modificação que vem ocorrendo na arte tecnológica, segundo Lovejoy pode ser entendida  sobre os aspectos fundamentais e da  relação entre conteúdo e contexto.

 O que é conteúdo?  Geralmente é o sujeito  escolhido pelo artista  e toma forma pelo movimento das imagens, textos formas, cores e sons. Atualmente entendemos como o contexto interfere e modifica  o conteúdo de um trabalho de arte. Na Internet eles estão intimamente ligados. O contexto pode ser escolhido pelo artista ou instituição como espaço interno ou externo, mas na web ele toma seu lugar aonde as diferentes  idéias de contexto criam diferentes transmissões e transformações  passando a ser também a ser o conteúdo. Net Works tem diferentes dinâmicas, lugares, e portanto diferentes categorias. Esse processo pode ser mapeado e reconfigurado., explora o potencial do database, formas de conexão e agenciamento. A net art conecta hoje diferentes lugares, com agenciamentos e instrumentos robóticos, wireless, wi-fi , palm e celulares. Diferentes caminhos  formam o projeto e sua estrutura.,  A interação é o fomentador da narrativa, em um território novo em um processo imaginário. Faz a relação entre o autor e o público num evento mental.

 A net arte é um fenômeno de rearranjo de links, recomposição de elementos sem começo ou fim. Deleuze e Guattari em “mil platôs” sugerem que a web se assemelha a um plano ilimitado em que a ligação dos pontos se dá em serie  e de modo  oposto as linhas  coordenadas fixas. Essas conexões se dão pelo nosso gosto do desconhecido e pelo indeterminismo de nossa historia.

Os projetos de net art e instalações procuram trabalhar o tempo e o espaço usando sons imagens e movimentos  como agenciadores e  sensibilizadores de processos mentais. A arte como comunicação que trabalha com a linguagem computacional pode gerar  novas estruturas do imaginário coletivo ( pg 235) Trabalhos interativos  criam novas dimensões  e diálogos que pode ser traduzidos, recodificados,indexados, a partir da contribuição do público e a ação no projeto (pg 236)

 Esse tipo de arte  com nova representação, acesso dinâmica e participação requer novos nomes e novas categorias.

As mudanças  que a arte tecnológica carregam  estão nas suas qualidades de construção/estrutura, falta de limites,as  interfaces e modos e design de navegação, modificando todos os conceitos que conhecíamos sobre arte.

A arte digital vem modificando e influenciando as noções do individual e coletivo. (pg 240). O projeto Egoscópio[1] 2002,de Giselle Beiguelman, trabalha o publico e o privado de forma nômade e cíbrida.  O interator acessa, modifica e interage no espaço público comercial da cidade, aqui não pelo celular mas pelo computador individual interferindo e transformando o mudo virtual e o real.

O nomadismo é mais uma das qualidades do ambiente digital, O conceito de nomadismo na arte é entendido, segundo Giselle Beiguelman[2], como uma arte sem limites, que expande  os territórios das janelas do computador para um não lugar. Com acessos  facilitados pela multiplicidade de equipamentos e diferentes sistemas de arquiteturas de redes, maximizam as possibilidades de transmissão de conteúdos. Projeto que é mantido dentro de um ambiente cíbrido agenciado pelos dispositivos nomádicos.  Nessa categoria  temos o projeto CODE*UP[3] de  Giselle Beiguelman (http://container.zkm.de:81/code_up/), mediado por celulares que agenciam o envio de imagens, para a manipulação por meio da programação disponibilizada pela autora.  Outra categoria é a dos projetos que exploram o uso do browser , como arte experimental, subvertendo as regras convencionadas. São trabalhos de desconstrução e reconfiguração de sites acessados. Riot[4] é um browser alternativo que trabalha esses conceitos. Reconfigura os endereços buscados, modifica noções convencionais de autoria e propriedade, questiona os limites da WEB e como a informação pode ser reciclada e reproduzida. (pág 252)

A arte na web com forte potencial democrático e questionamentos sobre a autoria e o fim do antropocentrismo pode conquistar audiência, suplantar projetos comercias? Esse é um dos maiores desafios que pesquisadores de arte tecnológica enfrentam. Ainda uma linguagem nova, as Instituições e Centros Culturais  precisam buscar novos  modos de apresentação e visualização.

 

Capítulo 2: Trans estética ( pág 271/315)

 

Nos últimos 10 anos nossa vida  vem sendo intensamente transformada pela tecnologia e a Internet. Essa relação está presente em nossas casas, escritórios, trabalho e lazer, construindo novos paradigmas de transmissão de informação, modificando nosso modo de comunicação. Assim como a arte , agora tecnológica, cada vez mais está presente  em festivais e exposições, questionando os novos paradigmas visuais,  com novos aspectos de representação. A interatividade é  uma das qualidades mais exploradas  pela arte digital, provocando uma revolução comunicacional, um novo tipo de dialogo do espaço público, sem um comando em um território expandido. (Walter Benjamin) 

A arte tecnológica na web joga em uma relação de pesos e medidas iguais, com o conteúdo e o contexto,  Ambos estão conectados  porque a dinâmica da Internet trás a informação por diferentes caminhos, por diferentes origens, em uma combinação de elementos  quando acessados  pelo comando  de ação na tela do computador. A obra em web-arte não se prende mais ao espaço interno ou externo, ela é realizada no momento da ação de comando. Algumas dependem do browser para a organização dos bancos de dados, códigos e programas acessados para serem reconfigurados na forma de um mapa.

O uso da tecnologia segundo Margot Lovejoy, questiona sobre o futuro da arte. As preocupações existentes nos projetos  de arte tecnológica, trabalham as tensões de confronto entre os diferentes meios explorados, abrindo posicionamentos diferentes.

Um dos grupos é o dos artistas que usam a tecnologia para  fazer progressos  no conhecimento pelas ferramentas criando uma nova forma cultural como um conhecimento em potencial  por meio  de experiências culturais. Outro é o do grupo de artistas que  usam a tecnologia  sobre o ponto de vista aristotélico,  a tecnologia para representar o que não se tinha antes, observar o mundo através dos aparatos tecnológicos entendendo ser este o modo para conquistar o novo  como uma forma de conhecimento.

No grupo de teóricos e analistas culturais, alguns tendem a não concordar com os artistas e cientistas tecnológicos que trabalham a tecnologia para o desenvolvimento de realidade virtual, inteligência artificial, robótica, e telecomunicações. Muitos  teóricos vêem a tecnologia  pelas suas pesquisas com pouca autonomia  para poder modificar comportamentos, mas todos concordam que a tecnologia é uma forma poderosa para criar experiências culturais, com implicações sociais.(pg 273)

 O artista tecnológico trabalha sempre preocupado com o poder das mudanças, na busca do entendimento  das implicações sociais culturais pela força da tecnologia.

Com os conceitos de Walter Benjamin que a tecnologia é uma estratégia de poder e os conceitos de Marshall McLuhan que ela é  a extensão do nosso corpo  concluímos então: A conceitualização tecnológica nos confundem porque segundo esses conceitos não podemos definir  quando ela é a ação ou quando é  o observador.

As obras tecnológicas englobam todo tipo  de manifestação e aspectos da imagem, estão sempre modificando nosso modo convencional de representação , configurando uma nova estética : dinâmica, participativa, interativa e em alguns projetos individual.

A tecnologia vem transformando  a arte e nossa relação com ela. As imagens são mediadas por aparatos e dependem deles  para a visualização e aparência. Incluem  novos aspectos como sons, textos e movimentos. São manipuláveis.

A tecnologia do software, das câmeras fotográficas, das filmadoras, fax, celulares, webcam é responsável pela criação alternativa da realidade virtual como um híbrido/ cíbrido. Novos projetos  transmitidos via WEB,  se tornam livres das instituições, subvertem e redirecionam o meio digital como transmissor de informação em contextos e conteúdos políticos, sociais, religiosos etc. A Internet propicia a divulgação  de novas possibilidades culturais.

Com acessos  facilitados pela multiplicidade de equipamentos e diferentes sistemas de arquiteturas de redes, maximizam as possibilidades de transmissão de conteúdos. Projeto que é mantido dentro de um ambiente cíbrido agenciado pelos dispositivos nomádicos.  Nessa categoria  temos o CODE*UP de  Giselle Beiguelman[5], apresentado no Sonar, Nokia Trends, em São Paulo, 2004 (http://container.zkm.de:81/code_up/), mediado por celulares que agenciam o envio de imagens, para a manipulação por meio da programação. 

A arte  não se restringe mais ao espaço físico das galerias e museus. Ela está na rede, on line, ela esta em um não- lugar, conectando  culturas  e  pontos de vistas diferentes.(pág.286/287)

A proliferação de instalações de vídeos, filmes interativos pode ser entendida como uma linguagem emergente derivada  da possibilidade do meio digital, uma nova forma experimental de representação e comunicação.( pág. 289)  Dessa forma a narrativa é reconfigurada e expandida.

Projetos que utilizam telefones celulares ou aparatos multi-usuários, trabalham o espaço social e proporcionam ao interator a possibilidade de uma narrativa dinâmica deslocada. O espaço é o não lugar e são experimentos chamados de nômades.(pág 291).

Estão também nessa categoria os trabalhos participativos, formatados pela proposta autoral e a plataforma de multi-usuários, gerados  pela interação, pelo sistema de códigos e da linguagem de programação. O projeto   Community of words”  de Silvia Laurentiz[6] , apresentado no Cinético_Digital do Itaú Cultural em 2005, onde os participantes são convidados a escrever linearmente um poema, para depois observá-lo e transformá-lo. As palavras as palavras digitadas entram em um ambiente 3D, se posiciona em um primeiro plano por um período. Depois o sistema calcula e as reposiciona, conforme as regras definidas pelo algoritmo programado.

A nova geração de computadores e softwares, vem facilitando a  geração de trabalhos em que o som, sem  um músico ou um estúdio  se posiciona entre  a produção e a distribuição, perdem a materialidade dos instrumentos e a temporalidade do limite da execução.

A arte como uma “grande pintura” , segundo Lovejoy é quando o projeto explora a imagem de uma cultura global, refletindo as condições humanas e modo de vida num mundo interconectado.

Podemos aprender muito com projetos que cruzam arte e ciência. Eduardo Kac[7] é citado no texto como exemplo em seu projeto Gênesis (1999), e Christa Sommerer  e  Laurent Mignonneau com A-Volve[8](1994), que demonstra a fragilidade da vida humana em um mundo artificial.

 

 

Novas formas narrativas :

 

Segundo Lovejoy um grande número de artistas estão preocupados em desenvolver novas formas de narrativas. , saindo do modelo Holywoodeano, para manifestações artísticas explorando diferentes mate instrumentos,  modificando os tipos de narrativas. Esses projetos envolvem instalações, vídeos,interações e sons. Esses projetos estão preocupados  em usar a tecnologia como transmissor de novos conhecimentos, nos contextos religiosos, políticos, e econômicos  da sociedade global. Os artistas refletem assim as mudanças  que o advento da Internet está provocando, os espaços distribuídos com  a nova estética pos moderna.

Lovejoy define a arte tecnológica de hoje como traslocal-transcultural e trasnacional, porque vivemos hoje em um mundo descentralizado. A cultura da sociedade da informação, descentralizada e global produz conhecimentos sem fronteiras e um novo espaço de possibilidades ilimitadas.

 

 

( continua ....)

 



[2]Beiguelman, Giselle (publicado em Intelligent Agent, Vol. 2, nº 03, Sumeer/Fall 03 - dossiê: mobility/wireless)  -

[3] CODE UP  http://container.zkm.de:81/code_up/

[4]www. potatoland.org

[5] www.desvirtual.com

 [6] http://www.ociocriativo.com.br/laurentiz/

[7] Genesis -- Genesis was commissioned by Ars Electronica 99 and presented online and at the O.K. Center for Contemporary Art, Linz, from September 4 to 19, 1999. Genesis is a transgenic artwork that explores the intricate relationship between biology, belief systems,information technology, dialogical interaction, ethics, and the Internet. The key element of the work is an "artist's gene", a synthetic gene that was created by Kac by translating a sentence from the biblical book of Genesis into Morse Code, and converting the Morse Code into DNA base pairs according to a conversion principle specially developed by the artist for this work. The sentence reads: "Let man have dominion over the fish of the sea, and over the fowl of the air, and over every living thing that moves upon the earth." It was chosen for what it implies about the dubious notion of divinely sanctioned humanity's supremacy over nature. The Genesis gene was incorporated into bacteria, which were shown in the gallery. Participants on the Web could turn on an ultraviolet light in the gallery, causing real, biological mutations in the bacteria. This changed the biblical sentence in the bacteria. The ability to change the sentence is a symbolic gesture: it means that we do not accept its meaning in the form we inherited it, and that new meanings emerge as we seek to change it. The exhibition history of Genesis can be seen here.(http://www.ekac.org/genexhis.html)

[8] http://www.iamas.ac.jp/~christa/WORKS/A-VolveLinks.html


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